segunda-feira, 6 de maio de 2013

O que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades.

altFaz parte da vida do cristão esperar o melhor, enxergar as luzes do futuro, construir o dia a dia com os valores do Reino de Deus, sem se cansar, recomeçando sempre, ainda que sejam frágeis nossas mãos e trôpegos os seus passos. Olhamos para a realidade de olhos abertos, positivamente ansiosos por descobrir os rastros da ação do Espírito Santo, que sempre nos precede, e lutamos para oferecer à humanidade, em qualquer época, o que sabemos existir de melhor.

A visão descrita pelo Apocalipse  nos faz desejar a morada de Deus com os homens, que chama de "Nova Jerusalém". Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio "Deus-com-eles" será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram (Cf. Ap 21,1-23). Esta Jerusalém desce do Céu, é presente de Deus, "já" chegou, mas é também preparada e edificada aqui nesta terra, onde quer que se proclame e se espalhe a novidade que vem do Evangelho e, portanto, "ainda não" se manifestou em toda a sua plenitude.

Como ensinou o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 48), "já chegou a nós a plenitude dos tempos (Cf. 1 Cor 10,11), a restauração do mundo foi já realizada irrevogavelmente e, de certo modo, encontra-se já antecipada neste mundo: com efeito, ainda aqui na terra, a Igreja está aureolada de verdadeira, embora imperfeita, santidade. Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (Cf. 2 Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus" (Cf. Rm 8, 19-22).

Caminhamos na esperança, confiantes nas promessas do Senhor, sabendo que por melhores que sejam todos os esforços humanos, o que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades e nos levará à realização plena de todas as justas aspirações plantadas por Ele mesmo nos corações. "O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu. A nós, Deus revelou esse mistério por meio do Espírito" (1 Cor 2,9-10).

O cristão peregrino, rumo ao Absoluto de Deus, carrega consigo alguns tesouros. Conhecê-los possibilita oferecê-los também a muitas outras pessoas, já que não podemos guardar escondidos os dons que Deus destinou a todos, por ser universal seu desígnio de salvação. Quando Jesus fez seus discursos de despedida, diante do evidente constrangimento de seus medrosos discípulos (Cf. Jo 14,27), garante-lhes sua presença permanente: “Se alguém me ama, guardará  a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23). Não se trata de uma presença caracterizada por relâmpagos, luzes ou terremotos, mas muito viva, real e serena. Ama a Deus quem guarda e vive a sua Palavra. E vai morar o próprio Senhor no coração de quem dá este passo. O Pai e o Filho habitam em quem vive a Palavra de Deus! Esta tem a extraordinária força para transformar o mundo. Quem a acolhe vive como pessoa renovada interiormente e ao mesmo tempo capaz de semear a novidade em torno de si.

Inigualável tesouro é ainda a ação do Espírito Santo, prometido por Jesus: "O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito" (Jo 14,26). Para garantir-nos a veracidade de suas palavras, Jesus promete nada menos do que o Espírito Santo, dado em penhor a cada fiel! Daí nasce a coragem com que as sucessivas gerações de cristãos enfrentaram as dificuldades da missão evangelizadora. E a Igreja suplica incessantemente a ação do Espírito que vem!

Também nós olhamos para frente e para o alto, dispostos a fermentar com o Evangelho de Cristo todos os recantos da vida humana, com renovado ardor missionário. Não cabe desânimo no coração do cristão, pois não caminha sozinho, sustentado apenas pelas próprias forças. Entende-se assim a força com que o Papa estimula a ação missionária da Igreja: "Que toda a pastoral seja missionária. Devemos sair de nós mesmos e ir para as periferias existenciais e crescer na "paresia", que quer dizer audácia para anunciar com coragem o Evangelho. Uma Igreja que não sai de si, mais cedo ou mais tarde adoece na atmosfera viciada de seu confinamento. Também é verdade que uma Igreja que sai pode se acidentar. Diante disso, quero lhes dizer francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada que uma Igreja doente. A enfermidade típica da Igreja confinada é o auto-referencial, que olha para si mesma. É uma espécie de narcisismo que nos leva ao mundanismo espiritual e ao clericalismo sofisticado, e nos impede de experimentar a doce reconfortante alegria de evangelizar" (Papa Francisco, Mensagem aos Bispos Argentinos).

Sejamos dignos das promessas de Cristo, assumindo com renovada audácia os desafios do presente e do futuro!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL
Arcebispo Metropolitano de Belém
 Fonte: RCC Brasil

"Peçamos a Deus o dom do Espírito Santo"


altPalavras do Papa durante a oração do Regina Caeli

Neste momento de profunda comunhão em Cristo, sentimos vivo em nosso meio também a presença espiritual da Virgem Maria. Uma presença materna, familiar, especialmente para vocês que fazem parte da Confraria. O amor por Nossa Senhora é uma das características da piedade popular, que precisa ser valorizado e bem orientado. Por esta razão, eu convido vocês a meditar no último capítulo da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, a Lumen Gentium, que fala precisamente de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Ali se diz que Maria "avançou na peregrinação da fé" (n. 58). Caros amigos, no Ano da Fé deixo-vos este ícone de Maria peregrina, que segue o Filho Jesus e precede todos nós no caminho da fé.

Hoje as Igrejas Orientais que seguem o calendário Juliano celebram a festa da Páscoa. Gostaria de enviar a estes irmãos e irmãs uma especial saudação, unindo-me com todo o meu coração a eles proclamando a boa notícia: Cristo ressuscitou! Reunidos em oração com Maria, pedimos a Deus o dom do Espírito Santo, o Paráclito, para que console e conforte todos os cristãos, especialmente aqueles que celebram a Páscoa entre provações e sofrimentos, e os guie no caminho da reconciliação e da paz.

Ontem no Brasil foi proclamada Beata Francisca de Paula De Jesus, chamada de "NháChica". A sua vida simples foi totalmente dedicada a Deus e à caridade, de modo que foi chamada "mãe dos pobres". Uno-me à alegria da Igreja no Brasil por esta brilhante discípula do Senhor.

Saúdo com afeto toda as Confrarias presentes, que vieram de muitos países. Obrigado pelo seu testemunho de fé! Saúdo também os grupos paroquiais e as famílias, bem como o grande desfile de várias bandas e associações dos Schützen da Alemanha.

Uma saudação especial vai hoje à Associação "Meter" no Dia das crianças vítimas de violência. E isso me dá a oportunidade de voltar o meu pensamento à todos os que sofreram e sofrem por causa dos abusos.
Gostaria de assegurar-lhes que estão presentes na minha oração, mas também gostaria de dizer com força que todos devemos comprometer-nos com clareza e coragem para que cada pessoa humana, especialmente as crianças, que estão entre os mais vulneráveis, sejam sempre defendidas e protegidas.
Também encorajo os enfermos de hipertensão pulmonar e os seus familiares.
 Fonte: RCC Brasil - Zenit