domingo, 31 de março de 2013


Cristo Ressuscitou! Aleluia!
Sim, Verdadeiramente ressuscitou! Alelulia!

E Por isso nós todos devemos nos apoiar na fé, e dizer que: se com Ele morremos, com Ele ressuscitaremos. E Por isso o sofrimento não vencerá. E Por isso as dificuldades não vencerão sobre ti.

Não, a morte não é a última palavra! Não, a dor não é a última palavra! Não, a rejeição não é última palavra! Não, o sofrimento não é a última palavra! Não, a depressão não é a última palavra! Não, as guerras não são " a última palavra"! Não, o aborto não é a última palavra, o divórcio não é a última palavra ... porque apesar do mundo estar cheio disto tudo, há uma vitória que é maior que tudo isto... está acima do mundo, está acima do céu, está no meio da terra, está nos nossos corações.

Ele rompeu a rocha do túmulo e pode fazer com que todas as rochas dos túmulos do mundo, e dos corações dos homens, e da minha vida, e da sua vida, rolem. E essa força, essa potência, esse poder, está no coração de cada batizado, porque CRISTO RESSUSCITOU ALELUIA! SIM, VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU, ALELUIA! E nós precisamos assumir isso na fé, na fé, na fé. Com suas palmas assuma na fé.

Esse é o grande mal do mundo... sabe qual é o grande mal do mundo?
O mundo tem muitos males, no mundo existe o mal do pecado, do egoísmo, da divisão; o mal das brigas e inimizades; no mundo existe o mal que conspira contra a vida, existe o orgulho, existe a idolatria; existe o assassinato, o homicídio, o desprezo pelos inocentes, a valorização da injustiça. E as luzes brilham sobre os corruptos, no mundo existe o aborto, o divórcio, a destruição da família... Mas este, nenhum destes, nenhum outro que você possa imaginar: holocausto, dizimação de populações inteiras... nenhum destes neste mundo em que existem tantos males, é o que penaliza mais o mundo.

Sabe o que penaliza mais o mundo? São os cristãos: "não abraçarem, não terem a convicção, a verdade, o amor, a adesão, a confiança, não viverem... não terem a convicção profunda" no seu coração e no seu entendimento da arma que vence este mundo. A arma e a resposta que vencem os males da Terra. Que vencem as dores dos corações. Que vencem todo o mal:
Esta arma e esta resposta é a vitória de Cristo, a ressurreição de Cristo, a nossa fé é a vitória que vence o mundo. E nossa fé em quem? Em Cristo que ressuscitou. Porque SIM, ELE VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU. E é este "verdadeiramente" que falta inflamar os nossos corações.

Porque por este "verdadeiramente" nós seremos capazes de fazer tudo, de realizar tudo. Por ele temos a resposta, mais do que a resposta, temos o fato, o acontecimento. A ressurreição de Jesus é um acontecimento, é um fato, é uma realidade, é palpável. Sua carne ressuscitou, a sua carne ressuscitou, a sua carne ressuscitou, e ressuscitou gloriosa.
O seu coração ressuscitou e ressuscitou glorioso, vencedor. O amor, a força do amor eclodiu Nele, e essa força eclodiu atingindo toda a criação, ultrapassando tempo e espaço.

Força, poder e autoridade! Essa força e poder que atingiu toda a criação! Que evento! Que acontecimento! Evento que há dois mil anos atrás joga para frente e para traz de toda a história da humanidade uma força e um poder. Que traz a vida, a alegria, que é resposta para todos, porque a pergunta, as dores, os momentos que dá sentido a vida humana, é acontecimento que se atingiu e precisa atingir todos os homens.

E se nós abraçarmos esse "verdadeiramente" com toda força que ele carrega, a nossa vida e o mundo serão transformados. CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA! SIM, VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU, ALELUIA! Esta é a grande notícia deste dia. E porque é a grande notícia deste dia, imaginem quando a primeira vez os ouvidos da humanidade ouviram esta notícia...

Pega sua bíblia, e você pode pegar o evangelho que nós provavelmente iremos ler hoje na liturgia, capítulo 20 do evangelho de João, versículo 12:
"Depois de Jesus ter sido sepultado, depois de ter sido envolvido no seu sudário, colocado sob dentro do seu túmulo e a pedra ter rolado, no primeiro dia da semana diz o evangelho, Maria ficara fora perto do túmulo e chorava. Chorando ela se inclinou para o túmulo e viu dois anjos vestidos de brancos, sentados no mesmo lugar onde corpo de Jesus fora depositado. Um a cabeceira e outro aos pés, "mulher", disseram-lhe, por que choras?" ela lhes respondeu: "tiraram o meu Senhor, e não sei onde o puseram". Enquanto falava, ela se voltou e viu Jesus que estava ali, mas não sabia que era Ele, Jesus lhe disse: "mulher por que choras ?, quem procuras ?" mas ela pensando que se tratava do jardineiro, disse: "Senhor se foste tu que tiraste, dizei-me onde puseste e eu o levarei". Jesus lhe disse: "Maria", ela se voltou e Ele disse em hebraico, "Rabuni", que significa mestre. Jesus lhe disse: "Não me retenhas, pois Eu ainda não subi para meu Pai, mas tu vai ter com meus irmãos e dizei-lhes que eu subo para o meu Pai, que é Vosso Pai, para o meu Deus que é Vosso Deus". Maria de Mágdala veio pois anunciar aos discípulos: "eu vi o Senhor e eis o que Ele me disse". Na tarde desse mesmo dia, que era o primeiro da semana, estando as portas da casa em que se achavam os discípulos trancadas, por medo dos judeus, Jesus veio, pôs-se no meio deles, e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Em outras palavras SHALOM. Enquanto falava, Ele mostrou as mãos e o lado, vendo o Senhor os discípulos ficaram tomados de intensa alegria, então Jesus lhes disse de novo: "A Paz esteja convosco", SHALOM, "como o Pai me enviou assim também eu vos envio, tendo assim falado, soprou sobre eles e lhe disse: recebei o Espírito Santo".

Vejam bem! Maria Madalena estava no sepulcro e chorava. Estava no sepulcro e chorava a ausência de Deus, a ausência de Cristo. Aquele Jesus que tinha tirado sete espíritos dela, que tinha lhe devolvido a vida e a dignidade já não estava mais com ela. Aquele Jesus que tinha olhado nos olhos de Maria como nenhum outro homem jamais olhou. Aquele que nos olhos de Maria de Madalena enxergou as suas dores mais profundas, as suas misérias mais escondidas. Aquele Jesus que fez que seus olhos encontrassem os olhos de alguém que não se julgava, nem se merecia ser amada.
Aquele Jesus foi tirado, tirado pela morte, e Maria sofria a ausência de Deus.

É interessante perceber isto. Nestes dias da semana santa a Igreja faz algo que é muito interessante, que de uma maneira geral... presta atenção que isto é importante! De uma maneira geral, passa desapercebido:
Nna Quinta-Feira Santa depois da instituição do lava-pés, nós estávamos na Catedral e vimos, o Bispo toma Jesus eucarístico, as partículas consagradas, e se dirige para a cripta da Catedral. Por que todos os sacrários principais, de todas as Igrejas devem estar vazios.

Na nossa casa na comunidade, nós também fazemos esta experiência. Os sacrários principais da nossa casa ficaram vazios, e Jesus foi posto numa sala trancada, e o sacrário vazio. A capela vazia, o sacrário aberto, vazio. A Igreja faz isto para que de uma maneira leve muito leve. Mas isto é como uma porta, para que possamos penetrar no mistério da ausência de Deus, do esposo que é tirado. E ali na capela eu dizia para um irmão: que coisa impressionante, eu queria estar lá dentro daquela sala, na hora de fechar a porta eu quase não saia lá de dentro, porque pra mim era como se fosse perder, e era no sentido figurado perder, e ao fechar aquela porta, por mais que tinham os ícones, a ausência de Jesus eucarístico era um vazio. Vazio que parece que tinha um vazio em toda a casa. Com a presença Dele parece que traz vida a toda casa.

Eu vi uma diferença também há alguns meses na nossa casa. A nossa capela da residência feminina foi terminada, mas não tinha a presença do Santíssimo Sacramento. O senhor Arcebispo marcou um dia para inaugurar e nós ficamos uns meses sem o Santíssimo. No dia em que Jesus entrou eucaristicamente naquela capela nossa casa mudou. A presença e a ausência de Deus! É isso que Maria e os discípulos viviam naquele momento. A ausência de Jesus, a ausência de Deus. E a ausência de Deus é tristeza, é desespero, é falta de sentir; a ausência de Deus é medo, é temor, é ansiedade; a ausência de Deus é inquietação, é infelicidade, é dor profunda...

E o mundo, meus irmãos, chora, o mundo chora como Maria Madalena chora, a humanidade chora, como Maria Madalena chora, e como os discípulos choram... imaginem a situação dos discípulos naquele lugar fechado, trancados, aterrorizados por que não tinham Jesus. A ausência de Deus, é a pior coisa, é o maior mal da humanidade. E é naquele clima de ausência de Deus, que muitas vezes nós podemos nos encontrar, e sofrermos essas conseqüências da ausência de Deus. As conseqüências da tristeza, da dor, da isolação, da ausência de Deus.

E e é exatamente neste clima, nesta situação que olhando pro mundo nós o encontramos vivendo nesta ausência de Deus. Olhando pro mundo nós o encontramos sob o julgo da morte, das trevas, da desolação. E é exatamente aí que aquela mulher, aquelas mulheres, aqueles homens ouviram, a notícia que todos os ouvidos queriam ouvir , que os reis, que os profetas, que os patriarcas, que os homens mais simples e mais nobres quiseram ouvir: Ele está vivo, Ele está presente, Ele venceu a morte, Ele é a resposta para toda desolação, Ele é a resposta e a vitória para toda desolação da face da Terra, Ele é a resposta e a vitória para toda dor do mundo, Ele está presente, Ele venceu, Ele está vivo. O pecado, o mundo, a morte, não pode detê-lo.

"Mulher", disse Jesus, e hoje Ele pode dizer para cada um de nós: "mulher, homem" e ao dizer mulher e ao dizer homem, Ele diz:" Eu estou aqui, eu não estou ausente, Eu não estou longe, Eu estou aqui. Tu muitas vezes pode estar ausente de mim, mas Eu não. Eu estou aqui, Eu estou ao teu alcance, estou ao alcance de teus olhos. Das tuas mãos, ao alcance da sua fé, ao alcance do seu coração, ao alcance do seu toque. Eu estou aqui, Eu vivo, Eu ressuscitei. O mal do mundo não é maior do que meu amor, as tristezas do mundo não são maiores que minha alegria. A desolação do mundo não é maior do que minha consolação."

"Eu estou aqui, Eu venci, Shalom! Paz! Paz a ti!" E aqueles ouvidos e aqueles corações quando ouviram tudo aquilo que qualquer um de nós em todo tempo e em toda história da humanidade precisa ouvir, se encheram de alegria, e partiram, e partiram, e partiram, e partiram, e partiram porque vendo uma desolação do mundo eles ouviram a voz de Jesus que dizia: "como o Pai me enviou, Eu também vos envio; como o Pai me enviou, eu também vos envio".

Esta notícia, esta verdade, este fato, este acontecimento, esta alegria, esta paz é para ser comunicada, é para ser anunciada, é para ser transmitida.

É para ir de encontro da desolação do mundo, para poder destuí-la, e assim, encher o mundo e o coração dos homens e das mulheres do nosso tempo da consolação do Ressuscitado. Sim, porque há uma consolação para este mundo, nós estamos no novo milênio, a Igreja, o Espírito hoje grita, por meio do nosso Papa, mar a dentro, "vamos a tarefa, vamos em frente, vamos anunciar os que os ouvidos e que os olhos e o coração dessa humanidade anseia, vamos anunciar essa grande alegria, a vitória sobre a morte, o consolo para a dor, a luz para os olhos, a paz para os corações a vitória sobre o mal.

Durante este, no começo deste ano, nós estavámos reunidos, o conselho geral da comunidade, em um momento de oração, o Senhor me fez assim, observar uma coisa que não tenho o costume muito de observar, não é o meu costume. Então estava passando aqui e alguns até, eu já disse para alguns, nós estávamos numa casa reunidos, e de repente, passou um maribondo. Aqueles bem grandões que a gente tem medo, e o ele trazia nas suas garras uma largata muito verde. Como eu dizia já quem assistiu o mundo animal, sabe que estes animais fazem o seguinte: eles inoculam na vítima, na presa um veneno. A primeira ferroada não é para matar, é para imobilizar. Imobiliza e sai, carrega, e leva-a viva e imobilizada como alimento para: colmeia é de abelha. (Não sei como é o nome da colméia para maribondos, na caixa delas). Ela é levada para lá assim.

Mas aquilo que parecia dispersão na minha oração, Deus começou a me falar e a dizer assim: "Está vendo isto? Esta é a agressividade do mundo de hoje. Ele age assim, por meio dos meios de comunicação, por meio das escolas, por meio das famílias, por meio das músicas, por meio dos eventos, por meio da cultura e da mentalidade de hoje, por meio de convites de vida fácil, por meio daquilo que entra pelos nossos olhos, pelos nossos ouvidos, pelos nossos lábios, pelos nossos sentidos, o mundo de hoje, por meio do pecado está assim, agressivo. Ele vai e inocula, e paralisa os meus filhos, os homens e as mulheres deste tempo para depois pouco a pouco destruir a sua vida, se eles não perceberem direito, mas vão sendo mastigados vivos e vão morrendo". E Ele continuava dizendo, enquanto eu olhava, dizia: pobrezinha da largata, que pena, que coisa né? E esse era o meu pensamento, sentia sincera pena da largata, dizia: não, é a vida, é a biologia, a cadeia alimentar, o eco-sistema, é a força da natureza, dos acontecimentos,é para ser assim mesmo.

Talvez lá sim, mas aqui não, aqui não, por que nós não fomos criados para entrar numa cadeia alimentar da morte do pecado. Fomos criados para a vida, fomos criados para a ressurreição. Precisa se fazer alguma coisa, tu precisas fazer alguma coisa, você precisa fazer alguma coisa, nós precisamos fazer alguma coisa. Não podemos ficar impassíveis porque temos a força de ressurreição de Cristo. Temos a vitória.

Devemos ter uma agressividade positiva muito maior, muito mais poderosa, muito mais eficaz, muito mais fecunda do que a força do mundo, por que CRISTO RESSUSCITOU, SIM, VERDADEIRAMENTE ELE RESSUSCITOU, porque Ele venceu a morte, porque nós não somos destinados ao matadouro, não somos destinados à infelicidade, não somos destinados ao fracasso, não somos destinados à morte.

Nós somos criados, destinados à vida e a vida nos foi dada em Cristo e Ele ressuscitou. Ele é a nossa força, a sua força nos foi comunicada e tu és um batizado e a força de Cristo habita em ti. O poder de Cristo habita em ti, habita em mim e se crermos com todo nosso coração, nosso entendimento, nossa vontade. Com todo nosso sentimento, apesar de nossa fraqueza, se crermos que Cristo ressuscitou dos mortos, que Ele verdadeiramente ressuscitou dos mortos, o mundo verá a manifestação da glória de Deus, o mundo mudará.

O mundo não muda porque eu, você não mudamos, mas se mudarmos, e hoje é o dia da mudança, hoje é o dia que o Senhor nos fez, hoje é o dia que a pedra rolou, e hoje a boa notícia nos foi dada. Hoje o coração das mulheres, e o coração dos discípulos enchem de alegria, e hoje o medo foi expulso, e hoje a morte foi derrotada, e hoje a dúvida foi destruída, e hoje o mal, príncipe deste mundo não foi só julgado, foi destruído, foi confinado porque Cristo ressuscitou e esta é a razão da nossa fé. Porque se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria nossa fé, mas Ele ressuscitou e nós somos portadores desta notícia, deste fato, deste acontecimento.

A nossa vida, o nosso pensamento, o nosso trabalho, os nossos bens, os nossos sentimento, as potências do nosso ser devem estar voltadas para comunicar ao mundo, para renovar a face da Terra com a força gloriosa, amorosa, magnífica da ressurreição de Cristo, que já transformou muitas vidas a minha e a sua, e transformará muito mais, e enxugará as lágrimas dos seus olhos, enxugará o seu suor.

Se for para esperar quem enviará, muitas vezes ainda sofrerá, mais o seu sofrimento encontrará sentido na ressurreição de Cristo, no consolo de Cristo, ao olhar o brilho dos olhos do mundo que por meio da sua palavra encontrará essa força. O seu suor, o seu sangue encontrará forças novas quando você ver homens e mulheres erguendo-se do pecado, famílias sendo reconstruídas, jovens encontrando a paz, o mundo sendo transformado.

Isso é possível, isso está nas nossas mãos, isso não é um discurso, isto não é uma palavra, isto é a verdade, isto é o evangelho, CRISTO RESSUSCITOU, SIM VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU, e este verdadeiramente é a nossa força é a nossa alegria.

(Por Moysés Azevedo
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Shalom
Mantido o tom coloquial
Pregação do Domingo Pascal de 2001 no Retiro da Semana Santa acontecido no Ginásio do Colégio Marista em Fortaleza - durante todo ao ano não se ouve pregação mais inflamada do Moysés a toda a Obra senão esta que ocorre no dia mais importante de nossa fé.) 

sábado, 30 de março de 2013


Como viver o Sábado Santo?

"Durante o Sábado santo a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando na oração e no jejum sua ressurreição (Circ 73).



No dia do silêncio: a comunidade cristã vela junto ao sepulcro. Calam os sinos e os instrumentos. É ensaiado o aleluia, mas em voz baixa. É o dia para aprofundar. Para contemplar. O altar está despojado. O sacrário aberto e vazio.

A Cruz continua entronizada desde o dia anterior. Central, iluminada, com um pano vermelho com o louro da vitória. Deus morreu. Quis vencer com sua própria dor o mal da humanidade. É o dia da ausência. O Esposo nos foi arrebatado. Dia de dor, de repouso, de esperança, de solidão. O próprio Cristo está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de seu último grito da cruz "por que me abandonaste?", agora ele cala no sepulcro. Descansa: "consummantum est", "tudo está consumado". Mas este silêncio pode ser chamado de plenitude da palavra. O assombro é eloqüente. "Fulget crucis mysterium", "resplandece o mistério da Cruz".

O Sábado é o dia em que experimentamos o vazio. Se a fé, ungida de esperança, não visse no horizonte último desta realidade, cairíamos no desalento: "nós o experimentávamos… ", diziam os discípulos de Emaús.

É um dia de meditação e silêncio. Algo pareceido à cena que nos descreve o livro de Jó, quando os amigos que foram visitá-lo, ao ver o seu estado, ficaram mudos, atônitos frente à sua imensa dor: "Sentaram-se no chão ao lado dele, sete dias e sete noites, sem dizer-lhe uma palavra, vendo como era atroz seu sofrimento" (Jó. 2, 13).

Ou seja, não é um dia vazio em que "não acontece nada". Nem uma duplicação da Sexta-feira. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo em que pode ir uma pessoa. E junto a Ele, como sua Mãe Maria, está a Igreja, a esposa. Calada, como ele. O Sábado está no próprio coração do Tríduo Pascal. Entre a morte da Sexta-feira e a ressurreição do Domingo nos detemos no sepulcro. Um dia ponte, mas com personalidade. São três aspectos -não tanto momentos cronológicos- de um mesmo e único mistério, o mesmo da

Páscoa de Jesus: morto, sepultado, ressuscitado:
"...se despojou de sua posição e tomou a condição de escravo…se rebaixou até se submeter inclusive à morte, quer dizer, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo, durante o tempo compreendido entre o momento em que Ele expirou na cruz e o momento em que ressuscitou. Este estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. É o mistério do Sábado Santo em que Cristo depositado na tumba manifesta o grande repouso sabático de Deus depois de realizar a salvação dos homens, que estabelece na paz o universo inteiro".Vigília Pascal
A celebração é no sábado à noite, é uma Vigília em honra ao Senhor, segundo uma antiqüíssima tradição, (Ex. 12, 42), de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (Lc. 12, 35 ss), tenham acesas as lâmpadas como os que aguardam a seu Senhor quando chega, para que, ao chegar, os encontre em vigília e os faça sentar em sua mesa.

A Vigília Pascal se desenvolve na seguinte ordem: 

• Breve Lucernário
Abençõa-se o fogo. Prepara-se o círio no qual o sacerdote com uma punção traça uma cruz. Depois marca na parte superior a letra Alfa e na inferior Ômega, entre os braços da cruz marca as cifras do anos em curso. A continuação se anuncia o Pregão Pascal.

• Liturgia da Palavra
Nela a Igreja confiada na Palavra e na promessa do Senhor, media as maravilhas que desde os inícios Deus realizou com seu povo.

• Liturgia Batismal
São chamados os catecúmenos, que são apresentados ao povo por seus padrinhos: se são crianças serão levados por seus pais e padrinhos. Faz-se a renovação dos compromissos batismais.

• Liturgia Eucarística
Ao se aproximar o dia da Ressurreição, a Igreja é convidada a participar do banquete eucarístico, que por sua Morte Ressurreição, o Senhor preparou para seu povo. Nele participam pelas primeira vez os neófitos.
Toda a celebração da Vigília Pascal é realizada durante a noite, de tal maneira que não se deva começar antes de anoitecer, ou se termine a aurora do Domingo.

A missa ainda que se celebre antes da meia noite, é a Missa Pascal do Domingo da Ressurreição. Os que participam desta missa, podem voltar a comungar na segunda Missa de Páscoa.

O sacerdote e os ministros se revestem de branco para a Missa. Preparam-se os velas para todos os que participem da Vigília.

Fonte: Comunidade Shalom

sexta-feira, 29 de março de 2013


Reflexão sobre a Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João comtemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a comtemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloqüente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.
A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.
Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

A Celebração
Hoje não se celebra a missa em todo o mundo. O altar é iluminado sem mantel, sem cruz, sem velas nem adornos. Recordamos a morte de Jesus. Os ministros se prostram no chão frente ao altar no começo da cerimônia. São a imagem da humanidade rebaixada e oprimida, e ao mesmo tempo penitente que implora perdão por seus pecados.
Vão vestidos de vermelho, a cor dos mártires: de Jesus, o primeiro testeunho do amor do Pai e de todos aqueles que, como ele, deram e continuam dando sua vida para proclamar a libertação que Deus nos oferece.
Fonte: Formação Comunidade Shalom.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Quinta Feira Santa - Ceia do Senhor

Quinta-feira Santa  - Eucaristia: Sacramento do amor
Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba

 A celebração da Semana Santa encontra seu ápice no Tríduo Pascal, que compreende a Quinta-feira Santa, a sexta-feira da paixão e morte do Senhor e a solene Vigília Pascal, no sábado à noite. Esses três dias formam uma grande celebração da páscoa memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

A liturgia da Quinta-feira Santa nos fala do amor, com a cerimônia do Lava-pés, a proclamação do novo mandamento, a instituição do sacerdócio ministerial e a instituição da Eucaristia, em que Jesus se faz nosso alimento, dando-nos seu corpo e sangue. É a manifestação profunda do seu amor por nós, amor que foi até onde podia ir: "Como Ele amasse os seus amou-os até o fim". 

A Eucaristia é o amor maior, que se exprime mediante tríplice exigência: do sacrifício, da presença e da comunhão. O amor exige sacrifício e a Eucaristia significa e realiza o sacrifício da cruz na forma de ceia pascal. Nos sinais do pão e do vinho, Jesus se oferece como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo: "Ele tomou o pão, deu graças, partiu-o e distribuiu a eles dizendo: isto é o meu Corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de ' mim. E depois de comer, fez o mesmo com o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22,19-20). Pão dado, sangue derramado pela redenção do mundo. Eis aí o sacrifício como exigência do amor.


O amor, além do sacrifício, exige presença. A Eucaristia é a presença real do Senhor que faz dos sacrários de nossas Igrejas centro da vida e da oração dos fiéis. A fé cristã vê no sacrário de nossas igrejas a morada do Senhor plantada ao lado da morada dos homens, não os deixando órfãos, fazendo-lhes companhia, partilhando com eles as alegrias e as tristezas da vida, ensinando-lhes o significado da verdadeira solidariedade: "Estarei ao lado de vocês como amigo todos os momentos da vida". Eis a presença, outra exigência do amor.

A Eucaristia, presença real do Amigo no tabernáculo de nossos templos, tem sido fonte da piedade popular como demonstra o hábito da visita ao Santíssimo e da adoração na Hora Santa. Impossível crer nessa presença e não acolhê-la nas situações concretas do dia-a-dia. 

Vida eucarística é vida solidária com os pobres e necessitados. Não posso esquecer a corajosa expressão de Madre Teresa de Calcutá que, com a autoridade do seu impressionante testemunho de dedicação aos mais abandonados da sociedade, dizia: "A hora santa diante da Eucaristia deve nos conduzir até a hora santa diante dos pobres. Nossa Eucaristia é incompleta se não levar-nos ao serviço dos pobres por amor."

O amor não só exige sacrifício e presença, mas exige também comunhão. Na intimidade do diálogo da última Ceia, Jesus orou com este sentimento de comunhão com o Pai e com os seus discípulos: "Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti... que eles estejam em nós" (Jo 17,20-21).

Jesus Eucarístico é o caminho que leva a esta comunhão ideal. Comer sua carne e beber seu sangue é identificar-se com Ele no modo de pensar, nos senti mentos e na conduta da vida. Todos que se identificam com Ele passam a ter a mesma identidade entre si: são chamados de irmãos seus e o são de verdade, não pelo sangue, mas pela fé. Eucaristia é vida partilhada com os irmãos. Eis a comunhão como exigência do amor.

Vida eucarística é amar como Jesus amou. Não é simplesmente amar na medida dos homens o que chamamos de filantropia. É amar na medida de Deus o que chamamos de caridade. A caridade nunca enxerga o outro na posição de inferioridade. É a capacidade de sair de si e colocar-se no lugar do outro com sentimento de compaixão, ou seja, de solidariedade com o sofrimento do outro. Caridade é ter com o outro uma relação de semelhança e reconhecer-se no lugar em que o outro se encontra...

Na morte redentora na cruz, Cristo realiza a suprema medida da caridade "dando sua vida" e amando seus inimigos no gesto do perdão: "Pai, perdoai-lhes pois eles não sabem o que fazem." A Eucaristia não deixa ficar esquecido no passado esse gesto, que é a prova maior do amor de Deus por nós. Para isso, deixa-nos o mandamento: "Façam isso em minha memória".

Caridade solidária é o gesto de descer até o necessitado para tirá-lo da sua miséria e trazê-lo de volta a sua dignidade. A Eucaristia é o gesto da caridade solidária de Deus pela humanidade. "Eu sou o Pão da vida que desceu do céu. Quem come deste Pão vencerá a morte e terá vida para sempre".