sexta-feira, 5 de julho de 2013

Orar com insistência, até ser inconvenientes com Deus

altMissa na Casa Santa Marta: Papa Francisco explica que a oração não é pedir coisas a Deus, mas "negociar" com ele corajosamente, até cansá-lo.

Rezem, rezem, rezem. Com coragem, insistentemente, "negociando" com Deus. A exortação do Papa Francisco na missa de hoje na Casa Santa Marta é clara: não devemos nos dirigir a Deus com orações “descartáveis”, mas rezar até o ponto de ser inconvenientes com ele. A missa foi concelebrada por monsenhor Brian Farrell e o cardeal Kurt Koch, acompanhado por um grupo de sacerdotes e de colaboradores do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

O convite do Santo Padre parte da primeira leitura do dia, Gênesis 18, 16-33, que conta a história de Abraão: com coragem e persistência, ele se volta a Deus para salvar Sodoma da destruição. "Abraão é um bravo e reza com coragem", disse o pontífice; ele "sente a força de falar cara a cara com o Senhor e procura defender a cidade", inclusive com certa obstinação.

Existem diferentes tipos de coragem, explicou o papa: "Quando falamos de coragem, sempre pensamos na coragem apostólica, em ir pregar o Evangelho, essas coisas... Mas há também a coragem diante do Senhor: aquela paresia diante do Senhor, de se dirigir a Ele corajosamente para pedir as coisas".

Talvez, acrescentou o Santo Padre, seja algo "um pouco engraçado". O próprio Abraão, na leitura de hoje, "fala com o Senhor de maneira especial", disse o Papa, a ponto de às vezes não sabermos se estamos "diante de um homem de oração ou de um comprador fenício, que vai puxando o preço para baixo, pechinchando. Ele insiste: de cinquenta, consegue baixar o preço para dez".

"É engraçado", reiterou o Papa, mas "está tudo bem", porque se realça a “atitude teimosa” que é necessária no diálogo com Deus. Às vezes, nós nos voltamos a Ele para "pedir uma coisa para uma pessoa" e acabamos pedindo outra, e outra e mais outra. "Isso não é a oração", disse o Papa Francisco. "Se você quer uma graça do Senhor, você tem que pedir com coragem e fazer o que Abraão fez, com insistência".

Jesus nos ensina a orar com essa insistência, contando e reforçando episódios como o da viúva que recorre ao juiz, ou do homem que vai bater à porta do amigo à noite, ou da mulher sirofenícia que pede repetidamente a cura da filha. Esta insistência "é muito cansativa", disse o Papa, mas "esta é a oração, isto é pedir uma graça de Deus". Santa Teresa também "fala da oração como uma negociação com o Senhor", diz Francisco. Isto só é possível quando se tem "a familiaridade com Deus".

Rezar, portanto, "é negociar com Deus, até ser inoportunos com o Senhor", insistiu Bergoglio: é "louvar o Senhor nas suas coisas boas e pedir que Ele dê aquelas coisas lindas a nós. E se Ele é tão misericordioso, tão bom, pedir que nos ajude".

O Papa fez um pedido pessoal e espontâneo no fim da homilia: "Eu gostaria que, hoje, todos nós, durante cinco minutos, não precisa mais do que isto, pegássemos a bíblia e, lentamente, rezássemos o Salmo 102: ‘Bendiz o Senhor, ó minha alma! Que tudo o que há em mim bendiga o seu nome! Não te esqueças de todos os seus benefícios. Ele perdoa todas as culpas, sara todas as feridas, salva a tua vida do fosso, te circunda de bondade e de misericórdia’...”.

Recitando essas palavras, explicou o Santo Padre, "vamos aprender as coisas que temos que dizer a Deus quando pedimos uma graça: ‘Tu, que és misericordioso, tu que me perdoas, me dá essa graça’, como pediu Abraão, como pediu Moisés". Assim, concluiu Francisco, "vamos em frente na oração, corajosos, com esses ‘argumentos’ que vêm direto do próprio coração de Deus".

Por Salvatore Cernuzio

Fonte: Zenit

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades.

altFaz parte da vida do cristão esperar o melhor, enxergar as luzes do futuro, construir o dia a dia com os valores do Reino de Deus, sem se cansar, recomeçando sempre, ainda que sejam frágeis nossas mãos e trôpegos os seus passos. Olhamos para a realidade de olhos abertos, positivamente ansiosos por descobrir os rastros da ação do Espírito Santo, que sempre nos precede, e lutamos para oferecer à humanidade, em qualquer época, o que sabemos existir de melhor.

A visão descrita pelo Apocalipse  nos faz desejar a morada de Deus com os homens, que chama de "Nova Jerusalém". Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio "Deus-com-eles" será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram (Cf. Ap 21,1-23). Esta Jerusalém desce do Céu, é presente de Deus, "já" chegou, mas é também preparada e edificada aqui nesta terra, onde quer que se proclame e se espalhe a novidade que vem do Evangelho e, portanto, "ainda não" se manifestou em toda a sua plenitude.

Como ensinou o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 48), "já chegou a nós a plenitude dos tempos (Cf. 1 Cor 10,11), a restauração do mundo foi já realizada irrevogavelmente e, de certo modo, encontra-se já antecipada neste mundo: com efeito, ainda aqui na terra, a Igreja está aureolada de verdadeira, embora imperfeita, santidade. Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (Cf. 2 Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus" (Cf. Rm 8, 19-22).

Caminhamos na esperança, confiantes nas promessas do Senhor, sabendo que por melhores que sejam todos os esforços humanos, o que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades e nos levará à realização plena de todas as justas aspirações plantadas por Ele mesmo nos corações. "O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu. A nós, Deus revelou esse mistério por meio do Espírito" (1 Cor 2,9-10).

O cristão peregrino, rumo ao Absoluto de Deus, carrega consigo alguns tesouros. Conhecê-los possibilita oferecê-los também a muitas outras pessoas, já que não podemos guardar escondidos os dons que Deus destinou a todos, por ser universal seu desígnio de salvação. Quando Jesus fez seus discursos de despedida, diante do evidente constrangimento de seus medrosos discípulos (Cf. Jo 14,27), garante-lhes sua presença permanente: “Se alguém me ama, guardará  a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23). Não se trata de uma presença caracterizada por relâmpagos, luzes ou terremotos, mas muito viva, real e serena. Ama a Deus quem guarda e vive a sua Palavra. E vai morar o próprio Senhor no coração de quem dá este passo. O Pai e o Filho habitam em quem vive a Palavra de Deus! Esta tem a extraordinária força para transformar o mundo. Quem a acolhe vive como pessoa renovada interiormente e ao mesmo tempo capaz de semear a novidade em torno de si.

Inigualável tesouro é ainda a ação do Espírito Santo, prometido por Jesus: "O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito" (Jo 14,26). Para garantir-nos a veracidade de suas palavras, Jesus promete nada menos do que o Espírito Santo, dado em penhor a cada fiel! Daí nasce a coragem com que as sucessivas gerações de cristãos enfrentaram as dificuldades da missão evangelizadora. E a Igreja suplica incessantemente a ação do Espírito que vem!

Também nós olhamos para frente e para o alto, dispostos a fermentar com o Evangelho de Cristo todos os recantos da vida humana, com renovado ardor missionário. Não cabe desânimo no coração do cristão, pois não caminha sozinho, sustentado apenas pelas próprias forças. Entende-se assim a força com que o Papa estimula a ação missionária da Igreja: "Que toda a pastoral seja missionária. Devemos sair de nós mesmos e ir para as periferias existenciais e crescer na "paresia", que quer dizer audácia para anunciar com coragem o Evangelho. Uma Igreja que não sai de si, mais cedo ou mais tarde adoece na atmosfera viciada de seu confinamento. Também é verdade que uma Igreja que sai pode se acidentar. Diante disso, quero lhes dizer francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada que uma Igreja doente. A enfermidade típica da Igreja confinada é o auto-referencial, que olha para si mesma. É uma espécie de narcisismo que nos leva ao mundanismo espiritual e ao clericalismo sofisticado, e nos impede de experimentar a doce reconfortante alegria de evangelizar" (Papa Francisco, Mensagem aos Bispos Argentinos).

Sejamos dignos das promessas de Cristo, assumindo com renovada audácia os desafios do presente e do futuro!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL
Arcebispo Metropolitano de Belém
 Fonte: RCC Brasil

"Peçamos a Deus o dom do Espírito Santo"


altPalavras do Papa durante a oração do Regina Caeli

Neste momento de profunda comunhão em Cristo, sentimos vivo em nosso meio também a presença espiritual da Virgem Maria. Uma presença materna, familiar, especialmente para vocês que fazem parte da Confraria. O amor por Nossa Senhora é uma das características da piedade popular, que precisa ser valorizado e bem orientado. Por esta razão, eu convido vocês a meditar no último capítulo da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, a Lumen Gentium, que fala precisamente de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. Ali se diz que Maria "avançou na peregrinação da fé" (n. 58). Caros amigos, no Ano da Fé deixo-vos este ícone de Maria peregrina, que segue o Filho Jesus e precede todos nós no caminho da fé.

Hoje as Igrejas Orientais que seguem o calendário Juliano celebram a festa da Páscoa. Gostaria de enviar a estes irmãos e irmãs uma especial saudação, unindo-me com todo o meu coração a eles proclamando a boa notícia: Cristo ressuscitou! Reunidos em oração com Maria, pedimos a Deus o dom do Espírito Santo, o Paráclito, para que console e conforte todos os cristãos, especialmente aqueles que celebram a Páscoa entre provações e sofrimentos, e os guie no caminho da reconciliação e da paz.

Ontem no Brasil foi proclamada Beata Francisca de Paula De Jesus, chamada de "NháChica". A sua vida simples foi totalmente dedicada a Deus e à caridade, de modo que foi chamada "mãe dos pobres". Uno-me à alegria da Igreja no Brasil por esta brilhante discípula do Senhor.

Saúdo com afeto toda as Confrarias presentes, que vieram de muitos países. Obrigado pelo seu testemunho de fé! Saúdo também os grupos paroquiais e as famílias, bem como o grande desfile de várias bandas e associações dos Schützen da Alemanha.

Uma saudação especial vai hoje à Associação "Meter" no Dia das crianças vítimas de violência. E isso me dá a oportunidade de voltar o meu pensamento à todos os que sofreram e sofrem por causa dos abusos.
Gostaria de assegurar-lhes que estão presentes na minha oração, mas também gostaria de dizer com força que todos devemos comprometer-nos com clareza e coragem para que cada pessoa humana, especialmente as crianças, que estão entre os mais vulneráveis, sejam sempre defendidas e protegidas.
Também encorajo os enfermos de hipertensão pulmonar e os seus familiares.
 Fonte: RCC Brasil - Zenit

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A novidade de Deus não é como as inovações do mundo.



altApresentamos a homilia do Papa Francisco pronunciada na Santa Missa e Crisma neste V Domingo de Páscoa, na Praça de São pedro.

Amados irmãos e irmãs!

Queridos crismandos! Bem-vindos!

Gostaria de vos propor três pensamentos, simples e breves, para a vossa reflexão.

1.Na Segunda Leitura, ouvimos a estupenda visão de São João: um novo céu e uma nova terra e, em seguida, a Cidade Santa que desce de junto de Deus. Tudo é novo, transformado em bondade, em beleza, em verdade; não há mais lamento, nem luto... Tal é a acção do Espírito Santo: Ele traz-nos a novidade de Deus; vem a nós e faz novas todas as coisas, transforma-nos. O Espírito transforma-nos! E a visão de São João lembra-nos que todos nós estamos a caminho para a Jerusalém celeste, a novidade definitiva para nós e para toda a realidade, o dia feliz em que poderemos ver o rosto do Senhor – aquele rosto maravilhoso, tão belo do Senhor Jesus –, poderemos estar para sempre com Ele, no seu amor.

Olhai! A novidade de Deus não é como as inovações do mundo, que são todas provisórias, passam e procuram-se outras sem cessar. A novidade que Deus dá à nossa vida é definitiva; e não apenas no futuro quando estivermos com Ele, mas já hoje: Deus está a fazer novas todas as coisas, o Espírito Santo transforma-nos verdadeiramente e, através de nós, quer transformar também o mundo onde vivemos. Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a acção contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá. Como seria belo se cada um de vós pudesse, ao fim do dia, dizer: Hoje na escola, em casa, no trabalho, guiado por Deus, realizei um gesto de amor por um colega meu, pelos meus pais, por um idoso. Como seria belo!

2. O segundo pensamento: na Primeira Leitura, Paulo e Barnabé afirmam que «temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus» (Act 14, 22). O caminho da Igreja e também o nosso caminho pessoal de cristãos não são sempre fáceis, encontramos dificuldades, tribulações. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas zonas sombrias, os nossos comportamentos em desacordo com Deus e lave os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo, e dentro de nós, no coração. Mas, as dificuldades, as tribulações fazem parte da estrada para chegar à glória de Deus, como sucedeu com Jesus que foi glorificado na Cruz; aquelas sempre as encontraremos na vida. Não desanimeis! Para vencer estas tribulações, temos a força do Espírito Santo.

3. E passo ao último ponto. É um convite que dirijo a todos, mas especialmente a vós, crismandos e crismandas: permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho. Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam meter-nos medo, se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade com Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida. Isto é verdade mesmo, e sobretudo, quando nos sentimos pobres, fracos, pecadores, porque Deus proporciona força à nossa fraqueza, riqueza à nossa pobreza, conversão e perdão ao nosso pecado. O Senhor é tão misericordioso! Se vamos ter com Ele, sempre nos perdoa. Tenhamos confiança na acção de Deus! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai sobre os grandes ideais, sobre as coisas grandes. Nós, cristãos, não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jovens, jogai a vida por grandes ideais!

Novidade de Deus, tribulação na vida, firmes no Senhor. Queridos amigos, abramos de par em par a porta da nossa vida à novidade de Deus que nos dá o Espírito Santo, para que nos transforme, nos torne fortes nas tribulações, reforce a nossa união com o Senhor, o nosso permanecer firmes n'Ele: aqui está a verdadeira alegria. Assim seja.

Fonte: Zenit

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"As vocações, sinal da esperança fundada na fé."


A Igreja celebra o dia de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas no Domingo do Bom Pastor, com o tema "As vocações, sinal da esperança fundada na fé". O mundo inteiro se une em oração para implorar de Deus o dom de santas vocações e propor de novo à reflexão de todos a urgência da resposta ao chamado divino.

A esperança é expectativa de algo de positivo para o futuro, mas que deve ao mesmo tempo sustentar o nosso presente, marcado frequentemente por dissabores e insucessos. Onde está fundada a nossa esperança? Na fidelidade de Deus à aliança, com a qual se comprometeu e que renovou sempre que o homem a rompeu pela infidelidade, pelo pecado, desde o tempo do dilúvio (cf. Gn 8,21-22) até ao êxodo e ao caminho no deserto (cf. Dt 9,7); fidelidade de Deus que foi até ao ponto de selar a nova e eterna aliança com o homem por meio do sangue de seu Filho, morto e ressuscitado para a nossa salvação. A fidelidade de Deus é seu amor que interpela a nossa existência, pedindo a cada qual uma resposta a propósito do que quer fazer da sua vida e quanto está disposto a apostar para a realizar plenamente. (Cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial de Orações pelas Vocações).

O cuidado amoroso de Nosso Senhor com seu rebanho se expressa no amor com que dá a vida por nós. Quem tem a chave que abre o livro da vida de cada pessoa (Cf. Ap 5,1-14) e reúne em torno de si uma multidão que ninguém pode contar (Cf. Ap 7,9) é o Cordeiro imolado, aquele que se entrega inteiramente. O Cordeiro é o Pastor!
  
O relacionamento do Pastor-Cordeiro com seu rebanho não é de poder despótico, mas se expressa nos vários passos do Evangelho, nos quais ele se mostra servidor, atento aos fracos, doentes e pecadores, misericordioso, paciente, atento às demoras daqueles que Ele mesmo chama, pronto a lavar-lhes os pés e dar-lhes a vida em abundância.
  
Temos a alegria de ver na Igreja o multiplicar-se de jovens, rapazes e moças, que enxergam um horizonte diferente em suas vidas. Suas perguntas já superam os interesses de posições sociais, riqueza ou reconhecimento social. Quando o novo Papa escolheu o nome de Francisco, refloresceu no mundo a admiração pelo pobrezinho de Assis! É que os santos atravessam os séculos com sua ousadia e coragem. Crianças, adolescentes e jovens de nossa época também foram feitos para grande ideais, e o mundo será levado adiante justamente pelos heróis do coração e do serviço desinteressado. Mesmo pessoas afastadas da Igreja exultam ao ouvirem nomes como Beato João Paulo II, Beata Madre Teresa de Calcutá, Santa Edith Stein, Beata Chiara Luce Badano, Dom Helder Câmara, Chiara Lubich e outras personalidades. São pessoas que calibraram suas vidas com a têmpera do Céu, dons de Deus oferecidos às gerações atuais.
  
As vocações para tal forma de vida existem e estão em nossas famílias e comunidades. Um apelo chegue aos pais e mães de família, no clima da Festa do Bom Pastor: comecem a perguntar a seus filhos em casa sobre o que Deus quer deles! Não reduzam os horizontes das novas gerações a interesses limitados como "o que você quer?, ou "como você terá maiores salários?", ou ainda apenas a posição social relevante. Tudo isso pode ser e é importante, desde que as perguntas a respeito de plano e vontade de Deus comecem a ocupar os pensamentos e a orientar rumos das novas gerações. Não nos permitamos diminuir o que Deus pode oferecer-lhes!
  
Para ter a coragem de orientar assim os que devem fazer escolhas na vida, três passos emergem como importantes. O primeiro é proporcionar um conhecimento adequado de Jesus Cristo. Anunciar Jesus, ensinar Jesus, conversar com Ele junto com os filhos, fazê-lo hóspede, mais ainda, morador de cada casa. Os pais começam a evangelizar e catequizar seus filhos quando estes estão no ventre materno e não podem interromper esta missão!
  
Só no conhecimento de Jesus Cristo far-se-á luz a respeito da vida de cada pessoa. Olhar no espelho é muito pouco para descobrir o que se é! Só Jesus Cristo revela a cada ser o humano o seu próprio ser e seus dons. Há que começar com Ele, para depois chegar a cada pessoa, com sua história. Perde tempo, ilude-se e não suscita vocações autênticas, inclusive para o matrimônio e, é claro, para a especial consagração do sacerdócio, vida religiosa e missionária e outras formas de consagração, quem não deixa Jesus Cristo passar na frente. Será fatal, pois quem quiser ganhar sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida vai ganhá-la (Cf. Mt 16,25).
  
Tendo escolhido Deus acima de tudo e encontrado sua própria história, vem à tona a terceira etapa, na qual se pergunta o que fazer e como viver, o que a Igreja chama de vocação específica. Descobri-la é uma graça que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas. Especialmente o mundo dos adultos tem sobre si imensa responsabilidade, pois lhe cabe oferecer esta visão inovadora da vida a adolescentes e jovens. Sim, vocação cristã, vocação humana e vocação específica! É a estrada maravilhosa para a descoberta do olhar pessoal de Deus!
  
Se o desafio parece muito alto, a Igreja põe em nossos lábios e em nossos corações a súplica adequada: "Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Amém."

alt
Dom Alberto Taveira Corrêa
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL
Arcebispo Metropolitano de Belém

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"A vida não nos foi dada para que a conservemos para nós mesmos, mas nos foi dada para que a doemos"


altMais uma quarta-feira de festa na Praça São Pedro no Vaticano; de fato mais de 70 mil fiéis provenientes de todas as partes do mundo se reuniram para ouvir a catequese do Papa Francisco no âmbito da audiência geral. No encontro desta manhã o Santo Padre refletiu sobre três textos do Evangelho que ajudam a entrar no mistério de uma das verdades que se professam no Credo: Jesus “de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos”; os textos foram o das dez virgens, a dos talentos e o do Juízo Final.

Na parábola das dez virgens – disse o Papa – o Esposo que as jovens esperam com as lâmpadas de azeite é o Senhor. O tempo de espera é o tempo que devemos manter acesas as nossas lâmpadas da fé, da esperança e da caridade, é o tempo antes de sua vinda final.

“O que se pede é que devemos estar preparados para o encontro, que significar saber ver os sinais de sua presença, manter viva a nossa fé, com a oração e com os Sacramentos; trata-se de ser vigilantes para não dormirmos, para não se esquecermos de Deus”.

Já na parábola dos talentos, se recorda que Deus concedeu dons, que devem ser usados e multiplicados, pois no seu retorno perguntará como foram utilizados.

Esta parábola – disse o Papa – nos fala que a espera do retorno do Senhor é o tempo da ação, o tempo no qual usar os dons de Deus, não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar sempre fazer crescer o bem no mundo. E em particular hoje, neste período de crise, é importante não se fechar em si mesmo, enterrando o próprio talento, mas abrir-se, ser solidário, estar atento ao outro. E falando aos jovens disse:

“A vocês, que estão no início do caminho da vida, peço: vocês pensaram nos talentos que Deus lhe deu? Pensaram como poder colocá-lo ao serviço dos outros? Não enterrem os talentos! Apostem em ideais grandes, que alargam o coração, ideais de serviço que tornam fecundos os seus talentos. A vida não nos foi dada para que a conservemos para nós mesmos, mas nos foi dada para que a doemos. Caros jovens, tenham uma grande coragem! Não tenham medo de sonhar coisas grandes!”

Na parábola do Juízo Final se descreve a segunda vinda do Senhor e se adverte que seremos julgados na caridade, como amamos os demais, especialmente os mais necessitados.

“Queridos irmãos e irmãs, olhar para o Juízo Final jamais nos deve provocar medo; mas ao contrário nos impulsione a viver melhor o presente. Deus oferece-nos, com misericórdia e paciência, este tempo para aprendermos a reconhecê-Lo nos pobres e nos humildes e perseverarmos vigilantes no amor. Possa o Senhor, no fim da nossa vida e da nossa história, reconhecer-nos como servos bons e fiéis!”

O Santo Padre saudou ainda os diversos grupos de peregrinos presentes, entre os quais o de língua portuguesa!

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Saúdo com afeto os grupos de Portugal e do Brasil, em particular os fiéis das paróquias Divino Pai Eterno de Goiânia e São Pedro de Vila Rica, encorajando-vos a todos a apostar em ideais grandes, ideais de serviço que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Confiai em Deus, como a Virgem Maria!”

Em italiano, Francisco citou o sequestro dos metropolitas greco-ortodoxo e sírio-ortodoxo de Aleppo, cuja libertação está sendo noticiada mas não foi ainda confirmada: "É mais um sinal da trágica situação que a querida nação síria está vivendo. Armas e violências continuam a semear morte e sofrimento. Rezo para que os dois bispos regressem rapidamente às suas comunidades e peço a Deus que ilumine os corações. Renovo o convite feito no dia de Páscoa para que cesse o derramamento de sangue, seja oferecida a necessária assistência humanitária à população e encontrada o quanto antes uma solução política para a crise".

Na conclusão do encontro Papa Francisco concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Fonte: Rádio Vaticana

terça-feira, 23 de abril de 2013

A juventude, há que pô-la em jogo para grandes ideais


altQueridos irmãos e irmãs,

O IV Domingo do Tempo de Páscoa é caracterizado pelo Evangelho do Bom Pastor que se lê todos os anos. A passagem de hoje traz estas palavras de Jesus: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um" (10, 27-30). Nestes quatro versos há toda a mensagem de Jesus, o núcleo do seu Evangelho: Ele nos chama a participar na sua relação com o Pai, e essa é a vida eterna.

Jesus quer estabelecer com os seus amigos um relacionamento que seja reflexo do que Ele mesmo tem com o Pai: uma relação de mútua pertença na confiança plena, na íntima comunhão. Para expressar essa compreensão profunda, este relacionamento de amizade, Jesus usa a imagem do pastor com as suas ovelhas: ele as chama e elas reconhecem a sua voz, respondem ao seu chamado e o seguem. É linda esta parábola! O mistério da voz é impressionante: pensemos que desde o ventre de nossa mãe, aprendemos a reconhecer a sua voz dela e a do papai; no tom de voz, percebemos o amor ou o desdém, o afeto ou a frieza. A voz de Jesus é única! Se aprendemos a distingui-la, Ele nos guia no caminho da vida, caminho que vai além do abismo da morte.

Mas Jesus, porém, num determinado momento disse, referindo-se às suas ovelhas: "Meu Pai, que mas deu ..." (Jo 10, 29). Isto é muito importante, é um profundo mistério, não fácil de entender: se eu me sinto atraído por Jesus, se a sua voz aquece o meu coração, é graças a Deus Pai, que colocou em mim o desejo de amor, de verdade, de vida, de beleza... e Jesus é tudo isso em plenitude! Isso nos ajuda a compreender o mistério da vocação, especialmente das chamadas para uma especial consagração. Às vezes, Jesus nos chama, nos convida a segui-lo, mas talvez aconteça que não nos damos conta de que é Ele, exatamente como aconteceu com o jovem Samuel. Há muitos jovens hoje, aqui na Praça. Vocês são muitos, né? Se vê... olha só! Vocês são tantos jovens hoje aqui na Praça. Gostaria de perguntar-lhes: alguma vez vocês escutaram a voz do Senhor que, por meio de um desejo, de uma inquietação, tenha lhes convidado a segui-Lo mais de perto? Ouviram? Não ouço? Então... tiveram a vontade de ser apóstolos de Jesus? A juventude, há que pô-la em jogo para grandes ideais. Vocês pensam nisso? Concordam? Pergunte a Jesus o que ele quer de você e seja corajoso! Seja corajosa! Pergunte-lhe! Detrás e antes de toda vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada, há sempre a oração forte e intensa de alguém: de uma avó, de um avô, de uma mãe, de um pai, de uma comunidade... Eis porque Jesus disse: “Pedi ao Senhor da messe – ou seja, Deus Pai – para que envie operários para a sua messe!” (Mt 9, 38). As vocações nascem na oração e da oração; e somente na oração podem perseverar e dar frutos. Gostaria de destacar isso hoje, que é a “Jornada Mundial de oração pelas vocações”. Rezemos especialmente pelos novos Sacerdotes da Diocese de Roma que tive a alegria de ordenar na manhã de hoje. E invoquemos a intercessão de Maria. Hoje havia 10 jovens que disseram "sim" a Jesus e foram ordenados sacerdotes nesta manhã... Isso é lindo! Invoquemos a intercessão de Maria, que é a Mulher do "sim". Maria disse "sim", toda a vida! Ela aprendeu a reconhecer a voz de Jesus desde que o carregava no ventre. Que Maria, nossa Mãe, nos ajude a conhecer sempre melhor a voz de Jesus e a segui-la, para andar no caminho da vida! Obrigado.

Muito obrigado pela saudação, mas cumprimentem também a “Jesus”, forte... Vamos todos rezar à Virgem Maria.
FONTE: RCC Brasil